são longos os minutos e eterno o momento
em que tocámos nas nossas mãos.

com as pontas dos nossos dedos,
o corpo entrelaçou-se,
um no noutro,
em silêncio.
lentamente.

e lentamente as mãos,
inteiras,
tocaram-se.

a pele rumorejava uma na outra.
o corpo estremecia nas nossas mãos
e nas nossas mãos o mundo parava.

ficamos estáticos,
no momento em que o teu olhar de mar parou no meu.

e beijamo-nos.

hoje,
esses teus dedos, delgados, ainda pousam,
etéreos,
na memória das minhas mãos.

hoje,
o sabor da tua boca,
meu fruto do mar,
estende-se, prostrado,
pelo meu corpo. inteiro.


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