se fores um passageiro errante,
escreve-me na pele.
abre um movimento com os teus braços
e vem para cá.
pousa as tuas mãos nas minhas
e deita-te na sombra do meu corpo.
não temos tempo para falar.
há na pele um sentido que a voz não pode tocar.
vem,
pelo meus braços e escreve-me,
poro a poro, nas rugas inteiras,
para que eu não te esqueça
e que um dia me lembre de voltar a sonhar.
nils frahm - corn (fonte: youtube.com)
desenhar-te por dentro do silêncio. uma sombra, um pedaço do corpo que se estende para a salsugem. pauta que faz areia. corpo que encontra a pele. memória que constrói o mar. entre a pele e o mar há um lápis que encontra o movimento, entre o corpo e a memória há um silêncio. e, para lá dos sulcos na areia, somos um momento de sal que permanece no horizonte.
dá-me a tua mão que eu dou-te a minha.
vamos escrever. pega na folha de papel para eu escrever:
/estamos em frente ao mar, mergulhados no olhar um do outro. falamos. falamos horas a fio. o teu olhar no meu. sempre o teu olhar no meu. de repente paras de falar e agarras-me a mão. os teus olhos param nos meus. uns para os outros, os dedos descobrem-se e as palmas das mãos encostam-se, uma contra a outra. com a mesma força. com a mesma vontade. entre o sol e o olhar. agarra bem na folha de papel. fiquemos juntos ao mar. as palavras não chegam. vamos encontrar esse beijo urgente. escorreguemos pelo tempo. e por dentro desse beijo vamos para o fundo dos nossos corpos.
wintercoats - working on a dream (fonte: youtube.com)
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